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terça-feira, 22 de março de 2011


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
mais nada.

Cecilia Meireles

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Figurinhas


No claro jardim
a menina chora
pela borboleta
que se foi embora

Ora, ora, ora
Nao chore tanto
Nossa Senhora!

A menina chora
no claro jardim
um choro sem fim

Nem o ceu azul
e' bonito agora
pois a borboleta
ja' se foi embora

Nao chore tanto!
Nossa Senhora!

Que choro sem fim
a menina chora

Ora, ora, ora!